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*Por Andreia Meneguete

Nada mais comum que um filme de peso ser lançado para que o figurino acabe ganhando uma repercussão juntamente com o enredo e o casting.  Não foi diferente com Cruella, filme lançado em maio deste ano, que foi sucesso de bilheteria e acesso de visualizações na plataforma Disney Plus. Embora seus looks sejam de tirar o fôlego por todo design, criatividade e sutileza dos detalhes. A magia mesmo está no significado por trás de cada produção fashion em cena e que faz a construção da personagem ganhar ainda mais sentido na sua jornada de vilã-heroína.

Imagem: Divulgação
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Começa-se com a pequena Estela desejando se diferenciar. Se um uniforme deixa todos iguais e sem identidade, cabe a ela fazer uma intervenção no dress code escolar. A intervenção autoral vem pela meia calça, seleção de bottons empilhados no blazer e volume em excesso para o laço que faz a vez de uma gravata. Criatividade e desejo de poder no novo território que vai circular (no caso a escola), as roupas da menina rebelde mostram que ela não será como todos naquele espaço constituído por regras severas e sem tantas individualidades.

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Já a sua mãe Catherine De Vil, para se mostrar alinhada ao que esperam de uma “boa mulher” naquela época, aparece sempre com maquiagem bem leve e vestida de conjuntos com padronagens que combinam entre si. Saias mídi com volume, referência ao New Look de Dior, revelando a delicadeza da feminilidade construída e reverenciada no imaginário do senso comum da década de 1970.

Seguindo adiante, chegamos na Estela versão adulta e com um grande sonho: ser estilista de uma grande casa de moda. Criativa, transgressora e com uma visão vanguardista, a protagonista, que vive uma britânica em sua essência, mostra ao vestir-se sempre de peças com referências do movimento punk, com doses de design e recortes bem estruturados em suas camisas e calças pretas, a sua afinidade com o universo fashion. Somam-se a isso acessórios como boina, óculos com armação grossa e botas ao estilo punk. Tudo isso gera o residual na mente do telespectador que a jovem está à frente da moda de sua época, uma mulher que já olha para o futuro e exala pelos poros o desejo pela mudança da estética de um tempo. Algo bem de acordo com a sua personagem que vive em busca de uma moda mais pulsante.

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Ao imergir de vez no papel de Cruella, Estela assume papéis reveladores por meio de toda potência expressiva que a moda tem frente ao mundo e os signos que podem ser utilizados para criarem mensagens consistentes e impactantes. Ao desafiar o império e poder da estilista Baronesa, Cruella utiliza a cor vermelha para provocar abalos no reinado da sua arqui-inimiga. A cor que significa poder, sedução e energia de transformação, como a guerra, é um dos tons presentes no guarda-roupa de Cruella, como forma de resistência a um sistema já estabelecido na moda e o que foi, nas entrelinhas da trama, para a sua vida – uma vez que a Baronesa é o símbolo do que causou a dor na vida de Estela.

Imagem: Divulgação
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No momento que a personagem surge com um vestido feito de retalhos de peças que foram descartadas da coleção que está sendo construída pela Baronesa, Cruella traz à trama o conceito urgente de ressignificar o futuro, com um novo modelo de pensamento diante dos hábitos diante do consumo. Um verdadeiro convite à transformação, seja de ideias ou hábitos.

Por fim, não menos importante, quando o poder que de fato pertence à sua história chega, Cruella por mais que tenha já mostrado peças de alfaiataria bem cortada, agora é hora de simbolizar isso da melhor forma. Não à toa, seu blazer todo detalhado em um brilho minimalista, mas visível aos olhos de quem a acompanha em cada gesto. Fazendo alusão ao que Cruella cita em cenas finais: ‘se uma saia bem cortada pode salvar vidas’, imagina, então, quando você sabe o significado e poder de cada peça que tem no guarda-roupa? Você acaba criando as narrativas que deseja para cada dia da sua jornada.

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