Capixaba por natureza, tropical por vocação. Borana, fundada em 2010 por Patiara Aguiar, estreou em grande estilo na edição 47 da SPFW, afinal, foi sua primeira participação em desfiles. A marca fez parte do projeto Top Five, uma parceria do Sebrae com o Instituto Nacional de Moda e Design (In-Mod), que tem como objetivo inserir pequenos negócios no universo fashion através de uma consultoria 360º. Sob uma vibe positiva e com os anos 70 como plano de fundo, Borana levou para a passarela, uma moda praia feita à mão, com texturas rústicas, peças de crochê de malha e aplicação de patchwork. Os biquínis, maiôs, croppeds e quimonos acompanharam prints de poá, flores e gravataria, sempre com modelagem confortável e recortes assimétricos. Nos tecidos, seda, viscose, lycra, jacquard e até jeans traduziram o auge do reggae. Acompanhe a entrevista com Patiara Aguiar.

Foto: Sergio Caddah/ FOTOSITE

1) Como e quando surgiu a marca?

Em dezembro de 2010, eu tinha acabado de me formar em Farmácia, mas sentia que não é aquilo que queria para a minha vida. Sempre fui apaixonada por praia e moda. A minha mãe tinha experiência com confecção, pois teve um ateliê de lingerie. Então, pensei que seria o casamento perfeito: minha paixão com a experiência dela. E não deu outra! Eu criava e a minha mãe e madrinha costuravam. A primeira compra de tecido foi de R$360,00. Não tinhamos capital pra investir. Foi um passinho de cada vez. Tudo começou na sala de casa. Meu pai viu o potencial e veio trabalhar com a gente. Por último, veio o meu irmão, que saiu da engenharia pra empreender. Cada um na sua área e a empresa tornou-se da família. Hoje, temos mais de 70 funcionários e três lojas físicas, além do e-commerce e revendas por todo o Brasil.

2) Como as referências do Brasil são vistas nas coleções?

Através do artesanal, das estampas e das modelagens. Uma vez, eu estava em Portugal com uma roupa da Borana. Fiquei impressionada como olhavam (chegavam a virar o pescoço, rsrs).  A estampa, o colorido, o modelo longo e soltinho chamavam muito a atenção. Sempre acontece de quando viajo pra fora, perguntarem onde comprei a roupa ou identificarem que sou brasileira.

3) Qual a mensagem principal da coleção defilada na SPFW?

Paz, amor e liberdade. A gente traduziu, de um jeito nosso, os anos 70. O lema dessa década nos inspira a buscar um mundo melhor, mais leve e livre, onde as pessoas possam exercer o seu afeto, ser e vestir o que elas quiserem, sem julgamentos.

4) De que forma o feito à mão e a sustentabilidade são trabalhados na Borana?

O feito à mão acontece nos mínimos detalhes. Por exemplo, ao invés de colocar uma ponteirinha de metal na calcinha, colocamos uma artesanal, de linha e miçangas, feitas por artesãs, que muitas vezes são senhoras que não tinham mais tanta perspectiva de trabalho. Tem o crochê, o macramê, estampas pintadas à mão. A gente ama todo o tipo de trabalho artesanal. Valorizar essa mão-de-obra é muito gratificante e vamos levar isso sempre, em cada peça, cada vez mais e mais. A sustentabilidade é ambiental, social e econômica. Vem desde a escolha da matéria-prima até a preocupação com o descarte final, no qual doamos os retalhos pra uma comunidade de artesãs que fazem chaveirinhos, roupinhas de boneca e descanso de porta. Nós criamos laços de respeito e de cuidado com os funcionários, colaboradores e clientes.

Foto: Sergio Caddah/ FOTOSITE

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